Doce beijo
Andávamos entre as árvores, frutos e flores, naquele dia especial. Naquela tarde quente. Caminhavamos lado a lado, nossos risos se confundiam com os cantos dos passarinhos que nos observavam e cantavam para nós. “Uma flor para uma flor”, você disse com seu sorriso lindo e a colocou atras de minha orelha. Seus olhos diziam que eu estava bonita, e os meus te admiravam. Lembro da cor e do cheiro daquela pequenina flor, que hoje está seca e sem pintura, mas que colore precisamente aquele dia, com cada pequeno detalhe.
Cansados sentamos sob a sombra de uma mangueira, você me ofereceu uma manga como se fosse uma rosa ou uma aliança. E eu aceitei, sorrindo e então caímos na gargalhada. Você passava levemente a língua no canto de minha boca, meus dedos melados encontraram suas bochechas limpas e você ria, eu sorria e a gente fazia bagunça. A gente se parecia com criança. Se divertia. Você me beijou, e foi um beijo doce, molhado de manga. Você gostava de sentir meus dedos lambuzados no seu rosto, eu gostava de sentir sua boca suave de fruta doce, e nossos lábios melados se tocavam e trocavam caricias.
O dia dava lugar a noite, o sol pequeno se escondia no céu de papelão. Nos deixando sozinhos ali, sob o pé de manga. A lua bonita, pingando na noite, nos presenteava com uma luz sutil que combinava com o brilho que eu percebia em seu olhar. E então eu senti, de novo, um beijo doce, molhado. Que estará ao lado do nosso outro beijo doce, doce de sorvete e pirulito de morango. Nosso primeiro beijo.
(Gustavo Lins - Faz Assim ♪♫)
Teu gosto vermelho de morango com chantilly,
Teu gosto pecado, menino veneno,
Teu beijo perigo, teu abraço malícia,
Teus dedos encotram meu corpo macio,
Minha língua encontra tua pele suave,
Meu corpo cola no teu,
Me leva pro céu, rouba o que é meu.
Mas menos que ver o seu sorriso ao sol
Num caldeirão de esperas
De um ricochete no rio Supercordas
Promessas, elas são importantes pra mim. No que você mentir, eu vou acreditar. No que você disser, eu vou crer. Cadê você que não está aqui do lado? Só dentro. Insaciável, intocável, incontrolável. Inside! IN. Eu ouvi dizer, eu ouvi palavras, palavras que me disseram que você não sumiria. Permaneceria, aqui. Sempre, total.
E o que estava longe está aqui dentro e tão perto
De um jeito tão certo que só cabe mesmo em mim
Beijo e abraço no tempo que passa, lento e à jato
No gesto que toca a gente na alma
No modo, dois jeitos, mas diferentes
É que somos iguais
Livros lidos, discos preferidos, filmes vistos
Sempre um sinal
Nando Reis
Ouvi ao fundo seus lábios dizendo que me amavam, ou foram seus olhos, pele, corpo inteiro. Ouvi ao fundo, com direito a eco e um estremecer em minhas pernas. Ouvi seu perfume doce subir pelo elevador, escadas; entrar por portas, gretas e janelas. Seu perfume doce dizendo que queria fixar em mim: cabelos, pele, roupa e coração. Ouvi também o estalo de um beijo: boa noite, durma com os anjos, sonhe comigo e tudo mais. Um estalar de costas por um abraço apertado fora também captado por meus ouvidos. Ouvi também sua respiração quente em meu pescoço, arrepiando braços, espinha e coração. Ouvi barulhos de passos em sua direção, passos acelerados, desajeitados, que procuravam de perto tudo que eu ouvira de longe.
Menina-mulher. Brinca com palavras, dança no silêncio, desajeitada. Lindamente estranha. Doce coração, séria, sensível. Recheada de perdão, aprendeu a amar, a se doar e não doer. Imprevisivelmente previsivel, inconstante borboleta. Mulher-menina. Amada, amante, sua.
(A uma pessoa mais que especial e aos meus 18 anos)